quinta-feira, 20 de março de 2008

voltou a si.

subiu um degrau, dois, três. viu-se, já, dentro do ônibus. estava vazio. viu que uma senhora sentava-se bem perto do motorista, enquanto reparava isso o cobrador lhe olhava com curiosidade. justificada.

carregava consigo uma bolsa jeans e um olhar atento. via tudo a sua volta. registrava tudo. maquinalmente, inverossímil. tratava tudo com o surrealismo dos sonhos. em seus azuis olhos o reflexo das pessoas tinham formas disformes.

passou pela roleta que borboleteou ao redor de seus quadris. sentou-se ao lado de uma janela. tirou da bolsa o caderno. abriu na página em que parara da última vez. pegou uma caneta. parou para pensar.

a menina corria pelas páginas. sua sainha listrada, rosa e branco. voava pelas ruas, as suas ruas. as pernas já chegavam naquele ponto. naquele em que, se você resolver parar, elas iriam despregar e sair correndo sozinhas e você, obviamente, ficaria pra trás.

correu por quarteirões e quarteirões. a pobre menina achava que estava sendo perseguida. uma pena foi quando notou que, na verdade, ela quem perseguia. a sanidade própria. quando isso notou a pequena parou.

os olhos azuis brilhavam. orgulhava-se dos dois parágrafos que havia escrito. sentia que havia conseguido escrever algo, realmente, dramático. a irrealidade real estava presente naquelas linhas tal qual o plasma no sangue. trabalho cumprido.

levantou-se de sopetão. balançou as vestes. arrumou o cabelo. sorriu e saiu do ônibus. já estava passando da hora de parar de se fazer de louco.
voltou a si.

3 comentários:

  1. achei que devia comentar. mas não há comentário a ser feito. tentei entender o que havia no texto, até entender que o texto não tinha nada que quisesse ser entendido. não sei o que a autora quis dizer do que ela não achou necessário ser dito. ;)

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  2. tentei não fazer sentido. mesmo que tivesse algum sentido.

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  3. ja tinha lido, legal, soh n gostei do borboleteou

    paulo, o fato de tentar n fazer sentido já dá um sentido

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