estava lá, reservada. nenhum mais podia sentar nela. parecia que fora moldada pra uma só pessoa. não necessariamente a ideal, mas aquela pessoa.
esperava-se, então. esperavam que tal pessoa, finalmente, chegasse e tomasse seu lugar. os ponteiros já andavam quadras e mais quadras, até o mais rápido deles parecia parado. o tempo passava. devagarzinho, quase parando, fazendo duvidar.
o vento batia lento contra ela. alguns a favor do vento tentavam, sem sucesso, ocupá-la. os demais já se impacientavam com a demora. batiam pés, dedos e cabeças. piscavam os olhos demoradamente, esperando que ao abrir a pessoa já tivesse chegado. em vão.
os relógios já corriam maratonas, as piscadas viraram sono profundo. a impaciência virou desistência. o vento que antes era vagaroso, passou a bater-lhe forte. fez, então, a pobre cambalear da direita para a esquerda. em um barulho abriram-se todos os olhos, pararam-se todos os relógios.
a cadeira estava no chão.
- inspirado em ronnie von, espelhos quebrados.
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