sexta-feira, 5 de setembro de 2008

a flexa e o rugido.

era sábado. levantou de manhã cedo, pegou o jornal na portaria do prédio e sentou-se no sofá da sala pra ler. tinha a mania de sempre ler o horóscopo do dia, dele e dela. procurou pela página o signo próprio, sagitário. leu alguma bobagem sobre o dia ser bom para contatos profissionais e passou os olhos, perdidamente, pela página.

lembrou-se da briga do dia anterior. lembrou-se da noite de choro dos dois. ele havia começado a briga, mas foi ele que pediu arrego. se havia uma coisa que ele não conseguia fazer, era ver um problema e ignorar. era direto e preciso. sempre tentava discutir, avaliar e resolver, mas aquela noite foi um pouco diferente.

ela era dele e somente. ele também. o amor entre os dois funcionava perfeitamente. ninguém sabe ao certo quando aquilo mudou, mas tudo começou na quinta feira. 

eles não brigaram, não discutiram. pra falar a verdade, eles sequer se falaram. foi de repente que o cansaço atacou os dois, não tinham vontade dos beijos apaixonados e dos abraços apertados. ainda era bom ficar um do lado do outro, era morno.

foi na sexta feira a noite que ele resolveu acabar com o problema. pensou que seria rápido, que logo estariam na cama vendo TV juntos. chamou-lhe e, pela primeira vez nas últimas 48 horas, falou com ela. perguntou o que havia de errado. o leão se soltou. ela nunca agüentou não mostrar o que sente pra ele, sempre tentou demonstrando seus sentimentos das formas mais marcantes.

"eu quero sentir que sou importante pra você, quero ver você dedicado ao nosso relacionamento..." ela dizia. "eu compreendo que você pense isso, mas eu sou assim..." ele disse e, então, calou-se. o embate ali não levava em conta o amor, mas a natureza. a junção de quem indaga e de quem esquiva, de quem promete e de quem compromete-se.

procurou pelas página do jornal o signo dela. olhou alguns instantes sem achar, leu algumas das previsões vendo se alguma batia com a personalidade dela e nada achou. 

havia esquecido o seu signo. 

era um sinal.

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