quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

dagger.

ela me olha por cima do ombro e diz:
- ele precisa de mim.
com a cara fechada percorre com velocidade a rua escura. a lua brilha em seus olhos.

essa é sempre a justificativa. não que, de fato, justifique algo, mas parece lhe dar razões suficientes pra continuar todo o processo. toda a história de complicações e sofrimento que se repete, sem parar.

em meio à confusão deles, ela aparece. por vezes, ela consegue tranqüilizar e estabilizar, esses finais chegam perto de serem felizes. no entanto, em outras tantas vezes ela multiplica as complicações, acelerando um processo que deveria ser retardado.

é sem medo que ela, mais uma vez, me sorri e diz que se preocupa com eles, que eles precisam dela. sempre indo, nunca vindo, ela dirige o corpo perfeito para mais um dos necessitados. pra ela, tudo estava prestes a começar. já pra ele, as coisas formavam-se diferentes.

ela chega e ele sabe, eles sempre sabem. tudo acontece suave, por um momento chego a pensar que ele, realmente, precisa dela. ambos respiram, ali, um ar rarefeito. devagar, suavemente. em um momento de susto, então, ele percebe que o fim chegou.

cortando a pele dele, está a faca que ela segura com apenas uma mão. com força, tenta aprofundar aquela ponta cada vez mais. mantém os olhos nos dele e, sem avisos, retira a lâmina que já havia perfurado e machucado o mais profundo dos lugares. seus olhos vão ao chão, sem lágrimas, sem sorrisos.

é nessa hora. quando ela sai, cabeça baixa e roupa ensangüentada... é nessa hora que é difícil agüentar vê-la.
tentando não precisar.

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