segunda-feira, 1 de junho de 2009

em qualquer lugar do Atlântico.

01/06/2009

desencontrados do mundo. entre águas ou, talvez por uma boa brincadeira do destino, entre terras. alguns esquecidos, outros tantos lembrados. quem sabe estão eles todos nadando sem rota definida, mas com um só rumo: a salvação.

são homens, mulheres e crianças. todos abandonados por uma sorte que costuma se ausentar sem dar avisos, sem bilhetes. são brasileiros e não-brasileiros que em um ponto do mapa, sumiram. ali, bem perto do nosso pequeno paraíso uma força maior derrubou-lhes sem pena. e então, fica a pergunta, que força será essa? um raio como dizem nos noticiários ou talvez algo ainda mais forte? seria o que chamamos de azar? ou o que chamamos de destino?

ainda jovem, mas já cética, eu particularmente acredito no azar. os tripulantes, os passageiros, os familiares e o resto de nós que do conforto da casa pasmados ficamos. todos sujeitos as coisas darem certo, todos sujeitos as coisas darem errado. e é assim, quase sem avisos, quase sem motivos que as coisas desandam e de um dia para o outro as pessoas que ali estavam já não estão mais.

entre os que observam e não participam, pergunto-me sem parar o “por quê” desse acontecimento, de quem foi essa idéia, de como aconteceu. pergunto-me, enquanto figa faço, se ainda há vida no corpo de qualquer um que no avião estava. tento de forma quase inútil passar, de longe, boas energias para os familiares, esses coitados que sofrem sem resposta, sofrem por ter esperança, sofrem por vê-la se esvaindo. torço, sem rezas, sem sortilégios, mas ainda assim torço para que exista alguém que por sorte ainda não tenha encontrado o que especulam que todos esses perdidos já encontraram.

2 comentários:

  1. Tô tão alheio ao mundo fora do meu olhar que nem sei ainda que notícia é essa. Engraçado acreditar no azar e não na sorte. Acreditar no caos mesmo quando o sol, planetas e galáxias girando num tempo cronometrado e certo.

    Engraçado é que mesmo assim essas coisas acontecem mesmo... do nada vidas se vão.

    Beijos, parabéns pelo texto ;)

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