no mesmo túnel iluminado que outrora caminhei, estou. vendo o piscar das luzes que ameaçam se apagar, esperando o passar de carros que não vão chegar. ando no caminho que não tem mais ninguém, nem final.
tudo vazio, luzes amarelas, o espaço é grande, mas a claustrofobia é inerente. a saída existe, eu sei, mas depender de alguém para isso pode torná-la um processo infindável, talvez inexistente.
ainda tenho na memória como tudo acontece. como as luzes se apagam e ali, no fim escuro, aparece uma só luz, um reflexo. viver por essa luz, continuar seguindo, andando, precisando. sentir-se capaz de libertar de si, só para encontrar a luz.
lembro os dias de olhos fechados, as luzes já acesas e a busca pela abertura iluminada que já se fechara. correr e cair. acordar num mesmo lugar de sempre. ter-me, de novo, no mesmo túnel vazio, sozinha e acompanhada por mim.
demorei a aprender a viver no escuro e, agora no claro, as pupilas ainda dilatadas vêm tudo fora de lugar, errado e sem razão.
sem saber bem o que sentir, sinceramente sem entender.. vou indo, indo e indo. sigo no túnel iluminado de sempre, contemplando o vazio, esperando os sons, os carros, as pessoas. esperando e lembrando o agradável escuro.
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