terça-feira, 22 de setembro de 2009

carta para ele.

amor,

escrevo-te esta carta, assim sem mais nem menos, sem razão nem por que. por tudo o que a gente passou e ainda vai passar. os dias escuros, as noites claras. o amor, aquele que tem que ser citado logo no começo, aquele que apertou o "start" e transformou "eu e você", em "a gente".

eu que era simples e singular. quando te encontrei, virei composta e plural. e eu que tanto me incomodava em ser diferente, nem me afetei de ser mais um peixinho nadando com a corrente, mais uma menininha apaixonada que escreve e suspira.

e foi tanto que eu suspirei por ti, ainda suspiro. te vejo pela manhã, cabelo desgrenhado e sorriso preguiçoso, minhas pernas ainda tremem, minhas mãos suam. abraço meu próprio corpo que está com teu cheiro, numa tentativa meio falha de te ter por toda a minha pele. o 'bom dia' com olhos brilhantes me lembra de todos os dias, a voz lenta de quem acaba de acordar lembra me todas as noites. ali, juntinhos no aconchego que só nossos próprios corpos poderiam proporcionar, ali, quando nós somos partes de um todo.

te vejo no nosso lugar, vendo um filme no sofá, sujando a minha cozinha, levando o lixo para fora, jogando videogame. eu que só peço que você me ame, ganho tão mais que isso. as vezes chego a duvidar se é realidade, se eu te tenho mesmo, se vou continuar tendo. que bom que não gasto muito tempo questionando isso. e se gastasse, descobriria um lugar vazio, sem sorrisos, sem olhares, sem amor, aqui.. dentro de mim.

me responde, não me engana dessa vez. em quanto tempo você vai chegar?

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