terça-feira, 8 de dezembro de 2009

me olhe, chegue perto, encoste. me sinta, cutuque, verifique se sou real. me beije, me abrace.
me diga: o que posso fazer por você? quer que eu te toque? eu te toco, meu bem.

toco o rosto e me aproximo. invado o seu corpo com os olhos e te sinto fazer o mesmo. te puxo para mim, você agradece, sem saber que fiz por mim, por puro egoísmo. no abraço, nossas almas vadias se encontram e por breves segundos viram uma coisa só, disforme e unitária. quando nossos corpos se separam, elas choram. chegam a encher de lágrimas o vazio dos nossos interiores, as costas cedem e os corações são apertados entre carne e água salgada.

os olhos mostram e mentem. não há conforto. eu não vou voltar e sei disso. você vai voltar, mas ainda não sabe. só saberá quando naquela tarde de sol poente encontrar um alguém com meu sorriso e entrar no primeiro trem que, eventualmente, será o certo para que você perceba que já faz muito tempo, que eu já não estou mais ali e que você, na verdade, só agora sairá.

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