olhava para baixo, não era timidez. era mesmo falta de vontade, já não acreditava e procurava não esperar. não esperava mais o encontro, o reconhecimento de olhares, quando duas almas não podem mais ficar paradas, ou separadas. quando elas tem que, indubitavelmente, se juntar, numa noite sem lua, num dia de sol quente
apressada, deixava as braços passearem soltos ao lado do corpo. não era tensa, mal amada ou abandonada, incrédula, talvez. mas nunca, em qualquer hipótese, insensível. sentiu um puxão, na mão direita. voltou-se a quem que fosse, cara feia, "será que não sabem que as pessoas podem estar atrasadas?!" ela pensou, mesmo que não estivesse.
virou o corpo duzentos e setenta graus, o suficiente para reconhecer o outro a que pertencia a mão que segurava a dela. as roupas eram diferentes, o cavanhaque havia se transformado em vasta barba. o corpo, ah, o mesmo ainda. magro e musculoso, ombros largos e peitoral perfeito. o olho verde escuro, esmeralda suja.
sorrisos, abraços, nenhuma palavra. nervosismo. "você.." começaram ao mesmo tempo, pretendiam dizer um ao outro como estavam bem. era muito, foi muito, eles foram muito. olharam-se por mais algum tempo, ele tomou-lhe o rosto com as mãos, ela virou o rosto, num sorriso envergonhado. "você está ótima, linda.", ela permaneceu em silencio. "te vi andando, tive que falar. já faz tanto tempo..", ela reparava nos olhos de esmeralda suja, parecia imunda, sem qualquer resquício de brilho. e já fazia, tanto tempo. bom tempo, mau tempo. vento ou sol. talvez e provavelmente, foi só por todo esse histórico que ela aceitou o convite dele de ir tomar uma cerveja, conversar um pouco. o sorriso dele, ainda brilhava e as mãos ainda encostavam nas suas com a mesma leveza.
na primeira cerveja, lembraram de como se conheceram, de como os olhos esmeralda se encontram com os castanho-claro normais dela. de como as almas gritaram, dentro de cada um, pedindo para não mais ficarem sós. de como, ainda jovens e perdidos, eles atenderam aos pedidos das almas como se elas fossem rainhas, e juntos, se fizeram servos.
na segunda cerveja, os dois se calaram. pensavam a mesma coisa, sabiam que sim. as noites, as manhãs e as tardinhas em que o peito dele roçava os seios dela, as mãos corriam os corpos e as respirações alcançavam os pescoços. ele levou a mão ao pescoço e lembrou-se de como ela sempre o mordia, ali. ela lembrou-se de como ele sempre dizia 'eu te amo' e sorria.
tentaram conversas casuais, família, notícias, foi quando a quinta, e última, cerveja chegou à mesa e ambos deixaram cair os olhares, concentraram-se nas respectivas mãos. olharam-se tristemente quando veio a mente o fim. o fim deles. as constantes brigas,as inconstantes decisões, o amor violento, querer de mais, querer de menos. seguir em frente, voltar. desistir. eles resolveram, então, por sacrificar um amor errado, doente, meio estrebuchado, como se faz a um animal. sacrificaram e saíram para rua, perderam os telefones, não trocaram cartas. o tempo passaria e levaria consigo o pó.
eles tocaram as pontas dos dedos, os olhos esmeralda-imunda encontraram uns olhos, agora, castanho-escuro. silêncio, as almas não gritaram. veio a mente a viagem deles ao interior, quando longes do mundo, eram inteiros e completos, eram um só animal sadio. ela pôde, novamente, se ver dizendo que estava tão feliz que parecia estar bêbada. não esperava ela que o tempo tivesse passado, os corações endurecido, os olhos escurecido e curado, curado não um, mas dois animais. olhando para frente, alma silenciada. mesmo que perto dele, ela estava apenas..
bêbada.
apressada, deixava as braços passearem soltos ao lado do corpo. não era tensa, mal amada ou abandonada, incrédula, talvez. mas nunca, em qualquer hipótese, insensível. sentiu um puxão, na mão direita. voltou-se a quem que fosse, cara feia, "será que não sabem que as pessoas podem estar atrasadas?!" ela pensou, mesmo que não estivesse.
virou o corpo duzentos e setenta graus, o suficiente para reconhecer o outro a que pertencia a mão que segurava a dela. as roupas eram diferentes, o cavanhaque havia se transformado em vasta barba. o corpo, ah, o mesmo ainda. magro e musculoso, ombros largos e peitoral perfeito. o olho verde escuro, esmeralda suja.
sorrisos, abraços, nenhuma palavra. nervosismo. "você.." começaram ao mesmo tempo, pretendiam dizer um ao outro como estavam bem. era muito, foi muito, eles foram muito. olharam-se por mais algum tempo, ele tomou-lhe o rosto com as mãos, ela virou o rosto, num sorriso envergonhado. "você está ótima, linda.", ela permaneceu em silencio. "te vi andando, tive que falar. já faz tanto tempo..", ela reparava nos olhos de esmeralda suja, parecia imunda, sem qualquer resquício de brilho. e já fazia, tanto tempo. bom tempo, mau tempo. vento ou sol. talvez e provavelmente, foi só por todo esse histórico que ela aceitou o convite dele de ir tomar uma cerveja, conversar um pouco. o sorriso dele, ainda brilhava e as mãos ainda encostavam nas suas com a mesma leveza.
na primeira cerveja, lembraram de como se conheceram, de como os olhos esmeralda se encontram com os castanho-claro normais dela. de como as almas gritaram, dentro de cada um, pedindo para não mais ficarem sós. de como, ainda jovens e perdidos, eles atenderam aos pedidos das almas como se elas fossem rainhas, e juntos, se fizeram servos.
na segunda cerveja, os dois se calaram. pensavam a mesma coisa, sabiam que sim. as noites, as manhãs e as tardinhas em que o peito dele roçava os seios dela, as mãos corriam os corpos e as respirações alcançavam os pescoços. ele levou a mão ao pescoço e lembrou-se de como ela sempre o mordia, ali. ela lembrou-se de como ele sempre dizia 'eu te amo' e sorria.
tentaram conversas casuais, família, notícias, foi quando a quinta, e última, cerveja chegou à mesa e ambos deixaram cair os olhares, concentraram-se nas respectivas mãos. olharam-se tristemente quando veio a mente o fim. o fim deles. as constantes brigas,as inconstantes decisões, o amor violento, querer de mais, querer de menos. seguir em frente, voltar. desistir. eles resolveram, então, por sacrificar um amor errado, doente, meio estrebuchado, como se faz a um animal. sacrificaram e saíram para rua, perderam os telefones, não trocaram cartas. o tempo passaria e levaria consigo o pó.
eles tocaram as pontas dos dedos, os olhos esmeralda-imunda encontraram uns olhos, agora, castanho-escuro. silêncio, as almas não gritaram. veio a mente a viagem deles ao interior, quando longes do mundo, eram inteiros e completos, eram um só animal sadio. ela pôde, novamente, se ver dizendo que estava tão feliz que parecia estar bêbada. não esperava ela que o tempo tivesse passado, os corações endurecido, os olhos escurecido e curado, curado não um, mas dois animais. olhando para frente, alma silenciada. mesmo que perto dele, ela estava apenas..
bêbada.
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