é madrugada, eu não consigo dormir e tive vontade de te ligar, mas não acho mais tão justo sempre te contar dos meus romances fudidos e te fazer aguentar tudo isso. então, resolvi escrever essa carta, que a original nunca chegará a você. são um bando de letras pequenas espremidas atrás de uma folha de um calendário de junho de 2009. um bando de pequenas letras espremidas que, por mais que eu tente escrever outras coisas e assuntos, não cansam de juntar e transformar algumas letras na palavra que me causa toda a atual aflição.
escuto Abril enquanto escrevo, Abril e Esteban. tento bolar planos do que farei ao chegar na Minha Fortaleza que eu tanto gosto, não só na cidade, mas na fortaleza emocional também, onde tenho quem me aguente nessas péssimas noites como essa.
pensei por um segundo que deveria estar escrevendo para pessoas em especial, mas acho que é como minha música-vício, "pianinho", diz: "por mais que eu cante, escreva, toque.. não vai dar." sabe, as vezes tenho nojo das pessoas. mas tenho nojo de mim também por isso, nunca cheguei a verbalizar. quem sou eu pra julgar? eu sou só alguém com um eu-lírico insone que em madrugadas amargas encarna um caio f. fajuto que escreve cartas-para-não-serem-entregues.
só alguém que se apaixona, se entrega e morre um pouco todo dia, para toda noite saber que viveu pelo menos um pouco.
nada menos que saudade,
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