domingo, 4 de abril de 2010

ela era outra pessoa, sabe? os olhinhos se estreitavam no sorriso tímido, ela tinha medo de mostrar os dentes que ali viviam acompanhadados das hastes de metal de um aparelho dentário. com sorriso tímido ou não, ela era linda. suas mãos corriam as minhas com doçura sem igual, levava meus dedos a sua boca e fazia parecer que não eram só eles que estava em contato com seus lábios, mas meu corpo por inteiro.

doce, sem um amargo sequer, foi assim que ela aterrissou na minha frente como qualquer bom avião, se me permitem a gíria grosseira. foram poucos dias até que ela como qualquer doce mal coberto, mal assegurado, começasse a amargar. não, não, não é que ela tenha mudado, ficado feia, grosseira ou absurda. ela virou nada mais do que ela mesma, e eu que conhecia tão pouco dela quis ser absorvido por aquilo, sem perceber que na verdade ela não me deixaria entrar.

acabei por ir junto com ela, fechando cada porta que havia entre nós, mas a última, ela o fez só, estava tão forte, tão inteira e eu que juntava meus pedaços só assisti sem perceber que, nesse meio tempo, ela já não era doce, nem amarga. acre-doce.

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