tenho trabalho da faculdade amanhã, primeira aula, primeiro grupo a apresentar. e por mais que o sono esteja aqui presente, eu não consigo dormir. não quero me deitar e pensar no tanto que eu tenho que dizer, para tantas pessoas. queria ser ainda mais covarde, mandar carta, email, a quem interessa, pedir ao mundo que pare porque já não sei se tenho força pra lutar de volta. na realidade, na sinceridade mais real que possa existir, eu preciso que alguém me salve. preciso que alguém me salve dessa rotina ridícula, que alguém me salve de mim e de todas essas manias, da vida que eu levo. provavelmente esse é o único motivo de estar escrevendo isso agora, que alguém veja, que alguém coloque elmo e armadura - ou não - e que me salve.
talvez seja só um momento de desespero. aproxima-se um final de semestre recheado de solidão, não muito diferente do começo pra falar a verdade. parece que tudo começou a dar errado do nada, mas já faz tanto tempo. faz tempo que tudo anda meio pela metade, que as alegrias não passam de vodka, boates gays e algumas horas com boas companhias, mas no escuro do quarto não há nada mais que um quarto no escuro. não há ninguém comigo, nem você, nem ela, nem qualquer que seja. além do meu pessoal, não há mais ninguém. ninguém que me aguente, ninguém que eu aguente. e quem disse ainda hoje mais cedo que nasceu sozinha, agora implora por companhia qualquer, uma mão leve nos cabelos recém lavados, um olhar interessado. agora, quero amor, mas tendo em vista que não tenho poder algum de barganha, carinho serviria.
[engraçado como as coisas tem a capacidade de serem como castelos de areia, em um segundo, em uma marola, tudo está derrubado. e já não há mais tempo, não se pode juntar os pequenos grãos, eles nunca se formarão de novo, não da mesma forma. e o que resta é.]
passa ou parece.
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