que estranho é observar minha concepção de amor ser ignorada ou rechaçada pela grande maioria das pessoas. filha de jovens setentistas meio hippies, criada em um ambiente com o mínimo possível de influencias para preconceitos, aprendi logo cedo a abraçar as mais diversas formas de amor e a aceitar mesmo quando essas divergem da minha opinião. e então, depois de crescida e com a cabeça entulhada de idéias próprias sobre amor e relacionamento, bato de frente com uma sociedade que parece não entender ou fingir que não entende meia dúzia dessas idéias, por vezes a dúzia inteira.
amor pra mim é coisa séria, seriíssima. é entrega, é a verdade de alguém posta nas mãos do(s) outro(s), uma corda bamba sem começo nem fim e sem qualquer rede de proteção. já chegaram a me dizer que o nome disso é romantismo utópico, acredito que não seja mais que esperança. é, acho mesmo que amor e esperança são muito próximos, sendo o amor aquela vontade de acreditar em algo tão inteiro que mesmo dividido seja completo. o que acontece é que hoje, encontrar outro alguém que também pense assim é um trabalho hercúleo, o amor agora tem status de distração ou status algum. status, agora, é não precisar de ninguém, ter o corpo fechado para qualquer aproximação. compromisso é algo que se perdeu há algum tempo.
o que seria bom é que se a minha visão diferenciada de amor fosse só no quesito filosófico da questão, o problema é que ainda vou mais além. vou mais além por entrar no âmbito de relacionamentos amorosos. começo a fazer brotar caras de espanto quando falo que não acredito em sexualidade, acredito em preferência estética, mas que no fundo procura-se quem lhe faça bem e com esse alguém se constrói um relacionamento. não acredito na definição de papéis de um relacionamento, nem na limitação numérica de participantes ou como esses devem agir, e não acredito também em relacionamentos sem amor. numa analogia meio gauche o relacionamento pode ser como uma casa, o amor equivale aos móveis que fazem aquilo funcional e as pessoas os moradores que convivem com os móveis e com o ambiente em suas maneiras.
por muito tempo pensei que esses eram pensamentos completamente compreensíveis para os demais, mas é sempre depois de falá-los de cara limpa num grupo de pessoas que observo que as coisas não são bem assim. muitas pessoas não entendem a idéia da flexibilidade de relacionamento e confundem com falta de vergonha. outras, ainda presas nos pensamentos antigos, acusam de perda de valores, quebra do formato padrão de convívio em sociedade. o engraçado é pensar que são essas mesmas pessoas que amam pela metade, que não se entregam a alguém ou que “amam” por aparência, “amam” pelo dinheiro. que, enfim, amam de mentira.
talvez tenha pensamentos muito libertinos, muito livres de essência e muitas pessoas ainda continuam presas nas grades invisíveis dos olhos da sociedade, mas como disse antes, fui educada para não ter preconceitos e não tenho, nem dessas pessoas que discordam de tudo que acredito, tenho talvez algo próximo à pena. não por me achar dona da verdade, mas tenho pena por esse pensamento tão curto deles, por essa falta de esperança. porque, meu amigo, se não é amor em todas as suas cores e formas que vai salvar esse mundo, não sei o que vai ser.
- essa sou eu postando exercícios da faculdade no blog.
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