quarta-feira, 20 de outubro de 2010

vivendo.

ah, meu caro amigo, venho te contar que a vida tem tentado me derrubar. meio assim devagarzinho, um empurrão ali, um tapinha por acolá. essa vida tem me colocado em mais filas de espera do que devia, em elevador quebrado, em pedra no meio da rua e nos diários ônibus atrasados, além de toda a complicação que já é cuidar dos outros participantes dela. mas veja bem, ela anda tentando e tentando, o que acontece é que ela não tá conseguindo. dentro de algum lugar, de uma profundeza até então desconhecida, eu estou resistindo. eu que sempre vegetei e virtualizei uma vida, estou ali vivendo, aguentando o sol quente do meio dia e sorrindo na cama a meia noite.

então, meu amigo, que já deve estar estranhando, te deixo mais incrédulo, hoje enquanto subia dez andares de escada, senti em meio ao extremo cansaço e a dificuldade de respirar uma vontade de viver, assim tão grande, que nem o magnetismo inerente de uma janela de vigésimo segundo andar me atraiu. está bem que agora assim, sentada e descansada, sei bem que era resultado de muita, muita, endorfina, mas é assim que é fácil notar como existem coisas para serem aproveitadas. mesmo que a vida goste de me botar com duas camisas num dia de quarenta graus e ainda tente me derrubar, eu continuo aqui. com calor e tentando me equilibrar, mas aqui.

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