abro os olhos e me deparo com a imagem embaçada de seu rosto calmo, sorrindo, para mim.
enquanto me acostumo com a claridade que bate em suas bochechas, deixando-as ainda mais lindas, sorrio de volta, para você. sua mão leve passa pelas minhas costas nuas, me aninho perto de seu colo enquanto você comenta como estou quente e que eu não respondo, ainda é muito cedo para pensar em piadas safadas. acompanho por um tempo as batidas do seu coração, mas minha respiração acelera, me afasto, então, e observo seus olhos, nariz, boca. todos meus. beijo cada um deles. devagar, não há pressa.
seus lábios são lindos, sabia? a forma como você aperta teu corpo contra o meu quando meus lábios percorrem teu pescoço também. queixos, ombros, braços, barrigas e pernas ainda com pequenos dentes desenhados, nosso segredo risonho, nossa maneira animalesca e carinhosa de dizer que nos possuimos e, de fato, o fizemos, o fazemos, o faremos. coloco os fios de cabelo fujões atrás da sua orelha, com o mesmo cuidado de sempre, olho com olho, sorriso com sorriso, então, olhos fechados, lábio com lábio, língua com língua. eu com você, nós, só.
abro os olhos e me deparo com a imagem de um cogumelo verde, sem qualquer expressão, olhando, para mim.
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