domingo, 9 de maio de 2010

eu poderia te inventar.

chegar em casa de um dia cheio e te ligar, falar que foi bom te ver, que você estava linda. posso cheirar minha camisa e sentir teu perfume, como é mesmo o nome dele? sereno? algo assim, como você, algo leve, prestes a ficar intenso.

vou sentar à mesa e te escrever cartas, futuras cinzas, pra dizer o quanto gosto de você. a frustração vai me atingir por não conseguir demonstrar em palavras, em ilustrações ou forma qualquer. com o celular em mãos, vou te ligar mais uma vez, a desculpa? ouvir sua voz. e vai ser sincero, como em todas as outras vezes.

teu jeito vai me acalmar, o falar compassado, o ritmo lento de encaixar as palavras perfeitas nas frases ditas. todo o imediatismo do meu amor imaturo vai se dissipar, porque ali, aqui, com você, eu poderia ficar para sempre. para sempre e mais.

então, levantarei o olhar para tela do computador. um notepad escrito, onde a primeira frase é "eu poderia te inventar" e sem dúvidas saberia que eu poderia sim, inventar você.

é uma pena que você exista, apesar de minhas camisas terem apenas meu perfume, minhas cartas ainda não terem um destinatário e a agenda do meu celular não possuir teu número.

- mas eu sei onde você compra pão.

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