
era por volta de seis horas, chegava em casa. comia um sanduíche, nada muito pesado, ia ao banho. a água quente corria-lhe os cachos do cabelo não-tão-pequeno e ainda-não-grande. fazia hora no espelho, caretas e sorrisos. vestia a mais confortável das roupas. fazia tudo, enquanto pensava. e, ainda pensando, sentava-se na cadeira e puxava para si a máquina de escrever, e escrevia.
escrevia, pois o coração era grande e a alma curta. curta de um modo que nunca, jamais, caberia a sua vastidão. não chegava a ter um metro e oitenta de corpo, mas o que tinha de pensamentos, sentimentos e, também, dores excedia o corpo, a alma e, por vezes, excedia os limites de um coração gigante, de quem ainda sorri.
havia passado a tarde de trabalho pensando. não, ele não perdeu sequer um ponto de produtividade por isso. um dia, se parasse de pensar, seria a certeza do fim. pensava, pensava, pensava e escrevia. era isso, sempre fora. para ele, era assim. um dia inteiro com pensamentos pela cabeça, chegar em casa e escrever e resolver e encontrar as respostas do problema.
pensava na existência de ciclos. a vida em si, um círculo. muda a frequência, talvez a velocidade. nos maiores, mudam as pessoas. nos menores, mudam os lugares. existem ciclos básicos, gente nascendo-gente morrendo, pessoas indo-pessoas voltando. e existem os ciclos específicos, ele se aproximando-ela se afastando, ele se aproximando-ela se afastando. repetidos inumeras vezes, ao redor do mundo, da existência humana e, por que não dizer, nos dias que passam.
as costas já doíam da posição para alcançar a máquina, os dedos já não respondiam com tamanha rapidez e os erros ortográficos tornaram-se mais constantes. estava como se sentia em todo fim de noite, livre. de todo o peso, de toda a dificuldade intrínseca na mais cíclica coisa que nós, humanos, podemos fazer, sentir.
tirou a folha, dobrou ao meio, colocou na gaveta já quase cheia. ia dormir, amanhã acordaria cedo para trabalhar e pensar. voltaria as seis para casa, comeria alguma coisa, tomaria banho, sempre quente. sentaria na mesma cadeira e puxaria para si a máquina de escrever, escreveria sobre sentimentos, pensamentos e, também, dores. fazendo, assim, do começo o fim. do ciclo.
escrevia, pois o coração era grande e a alma curta. curta de um modo que nunca, jamais, caberia a sua vastidão. não chegava a ter um metro e oitenta de corpo, mas o que tinha de pensamentos, sentimentos e, também, dores excedia o corpo, a alma e, por vezes, excedia os limites de um coração gigante, de quem ainda sorri.
havia passado a tarde de trabalho pensando. não, ele não perdeu sequer um ponto de produtividade por isso. um dia, se parasse de pensar, seria a certeza do fim. pensava, pensava, pensava e escrevia. era isso, sempre fora. para ele, era assim. um dia inteiro com pensamentos pela cabeça, chegar em casa e escrever e resolver e encontrar as respostas do problema.
pensava na existência de ciclos. a vida em si, um círculo. muda a frequência, talvez a velocidade. nos maiores, mudam as pessoas. nos menores, mudam os lugares. existem ciclos básicos, gente nascendo-gente morrendo, pessoas indo-pessoas voltando. e existem os ciclos específicos, ele se aproximando-ela se afastando, ele se aproximando-ela se afastando. repetidos inumeras vezes, ao redor do mundo, da existência humana e, por que não dizer, nos dias que passam.
as costas já doíam da posição para alcançar a máquina, os dedos já não respondiam com tamanha rapidez e os erros ortográficos tornaram-se mais constantes. estava como se sentia em todo fim de noite, livre. de todo o peso, de toda a dificuldade intrínseca na mais cíclica coisa que nós, humanos, podemos fazer, sentir.
tirou a folha, dobrou ao meio, colocou na gaveta já quase cheia. ia dormir, amanhã acordaria cedo para trabalhar e pensar. voltaria as seis para casa, comeria alguma coisa, tomaria banho, sempre quente. sentaria na mesma cadeira e puxaria para si a máquina de escrever, escreveria sobre sentimentos, pensamentos e, também, dores. fazendo, assim, do começo o fim. do ciclo.
*ouroboros: a imagem da serpente mordendo a cauda, fechando-se sobre o próprio ciclo, evoca a roda da existência.
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